quinta-feira, 10 de julho de 2008

Mãos

Minha mãos estão envelhecendo.Eu as vejo envelhecer, os dedos engrossados pela artrose.Raramente vejo meu corpo.De repente, em um hotel, há um espelho e me surpreende encontrar esta senhora de carnes flácidas.Sou eu.Quem sou eu?O corpo que se transforma e a mente que não percebe.Surpresas.Então me proponho a fazer dietas, exercícios.Quimeras.Sento-me na janela do hotel, em frente ao mar.Mar de Salvador.Há de me salvar.Ondas pequenas, marolas.Um navio a passar.Nas pedras batem ondas brancas de espumaE uma piscina transparente se forma.Só há o som da água.Marolas.Respiro e me inspiroA meditar.Zazen.Silêncio interior.Não importa mais o corpo, a mente, a alegria, a dor.Integração.Ao Zazen o meu perdão, minha gratidão, minha vida.Não sou eu quem faz Zazen.É o Zazen que me faz.
Uma hora passa rápido.Tem gente a me esperar.Palestras, conversas, reflexões.A monja que fala de lucro, empresas, felicidade.Monja que índio desenha em transformação.“Sua voz me é conhecida, muito conhecida.”Intimidade.Falar ao íntimo do ser.Pois intersomos.Baixo.Alto.Dorme uma cabeça loira que no final me abraça com olhos úmidos.Lindo demais.Não há corpo e há o abraço.Que sente coração batendoQue recebe ternuraQue acolhe tristezasQue transforma em belezaMomento perene, eterno
No dia seguinte outro avião.Do céu vou lembrando CaymiE as ondas verdes do mar.
Outra cidade - Goiânia.Só para mulheres.Hotel cinco estrelas por duas horas.Almoço abrindo restauranteA loja mágicaEstátuas de Buda, Haruman, Shiva, KannonPinturas, incenso, música, autor, artista, sensívelPlatéia femininaAlguns homens sentadosEntre tantas mulheresOuvindo a monja falar
Fala da vida, fala da morteFala da pazFala que falaSem pararFala, medita, levanta, agitaSentaTranqüilizaA mente que pretendeNão há outra espiritualidadeDo que viver coerenteValores, princípiosProfundos da gente
Amor liturgiaIncondicionalSem cobrançaTransforma em bem todo o mal
Demora?Que importa.Pouco a pouco.E se acolhe.Ama a si mesma mulher brasileiraNão permite o abuso, a violênciaEncontra meios expedientesSem cóleraSem raiva,Sem rancorAfasta essa dorEnsina os meninosA compartilharTrabalhos de casa, crianças a educarMulheres e homens em parceriaConstruindo uma nova maneira de serViverHarmoniaCompartilhamentoCuidadoTernuraE retorna ao convento
GasshoMonja Coen

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